Serviço de Genética Médica

Complexo HUPES - UFBA

Coronavírus - Covid-19

O genoma do SARS-Cov-2, causador da doença em circulação internacional, foi sequenciado no Instituto Adolfo Lutz, laboratório estadual de referência para o Brasil. O trabalho foi concluído em 28 de fevereiro de 2020, apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso de COVID-19, em São Paulo.

Esse feito científico dos pesquisadores dos Institutos Adolfo Lutz e de Medicina Tropical concluíram é extraordinário. O sequenciamento genético do coronavírus é um trabalho inédito e absolutamente fundamental para que novas vacinas sejam desenvolvidas.

Segundo a pesquisadora baiana Jaqueline Goes de Jesus, do Instituto de Medicina Tropical, o sequenciamento por nanoporos (poros em escala nanométrica) foi feito em um dispositivo portátil inovador lançado pela startup britânica Oxford Nanopore Technologies. Ele se conecta a um software que funciona como uma “tecla SAP”, ou seja, é capaz de “traduzir” o genoma.

“Desde a década de 1970 se faz sequenciamento genômico e a ideia era realizar o sequenciamento em campo e trabalhar em tempo real. Esse sequenciador é menor que um celular e é conectado a um computador por meio de um cabo USB. Consegue fazer um sequenciamento da célula de fluxo, como se fosse um chip onde estão os nanoporos. Dentro dele, colocamos as sequencias da amostra que vai ser “lida” ao passar pelos poros”, explica a pesquisadora.

O genoma completo do vírus foi disponibilizado à comunidade científica internacional. “Os dados de genomas completos do SARS-CoV-2 dos casos de COVID-19 são essenciais para o desenvolvimento de vacinas e de testes diagnósticos. São importantes para a compreensão da dispersão do vírus e para detectar mutações que possam alterar a evolução da doença”, afirma o pesquisador Claudio Sacchi, do Instituto Adolfo Lutz.

Análises preliminares indicam que o genoma identificado no Brasil difere-se por três mutações da cepa de referência de Wuhan, na China. Duas dessas mudanças se aproximam à cepa da Alemanha, diagnosticada em transmissão de Munique, região da Bavária. Portanto, a maior similaridade do vírus detectado no paciente de São Paulo é com a cepa europeia.

“Grupos internacionais têm demorado, em média, 15 dias para gerar e submeter as suas sequências relativas a casos de COVID-19, o que destaca a relevância científica da pesquisa brasileira. Essa conquista certamente contribuirá para aprimorarmos as políticas públicas de vigilância e prevenção da doença”, afirma o Secretário da Saúde de São Paulo, José Henrique Germann.

Os autores que contribuíram para a pesquisa científica são Jaqueline Goes de Jesus, Claudio Sacchi, Ingra Claro, Flávia Salles, Daniela da Silva, Terezinha Maria de Paiva, Margarete Pinho, Katia Correa de Oliveira Santos, Felipe Romero, Fabiana dos Santos, Claudia Gonçalves, Maria do Carmo Timenetsky, Joshua Quick, Nick Loman, Andrew Rambaut, Ester Cerdeira Sabino, Nuno Rodrigues Faria.

“Desde que o país passou por epidemias de zika e dengue, o nosso grupo estava trabalhando em aprimorar os testes de sequenciamento, em uma tentativa de entender mais sobre essas doenças. Estávamos envolvidos com o sequenciamento genético há muito tempo. O resultado desses esforços é que fomos mais rápidos, porque já estávamos prontos afirma pesquisadora Jaqueline Goes.

Hoje, o número de casos confirmados do novo coronavírus já passou de 100. Em um balanço feito na tarde desta sexta-feira (13), o Ministério da Saúde registrou 98 casos. Mas, depois da divulgação oficial, BahiaSanta CatarinaRio Grande do Sul e Amazonas confirmaram mais 9 casos. Assim, o total é de 107 brasileiros com a COVID-19. Outras 1.485 pessoas estão com suspeita da doença. Foram descartados, até agora, 1.344 casos.

Prevenção:

  • Utilize álcool 70% com glicerina, que é muito eficaz para a higiene das mãos.
  • Lave as mãos com água e sabão sempre que estiverem sujas.
  • Evite tocar a boca, o nariz e os olhos sem antes higienizar as mãos.
  • Não compartilhe copos, talheres e outros objetos pessoais.
  • Mantenha os ambientes ventilados. Abra as janelas e portas mesmo em dias frios.
  • Evite aglomerações e contato com pessoas com sintomas de doenças respiratórias.
  • Ao tossir ou espirrar, utilize o antebraço para evitar a disseminação do vírus.
  • Cumprimente as pessoas sem aperto de mão, beijos ou abraços.
  • Supervisione para que crianças menores, que costumam levar objetos à boca, não compartilhem itens com outras crianças.

 

Prevenção é a melhor solução!

Fonte: Ministério da Saúde